A doença de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva que afeta o funcionamento do cérebro ao longo do tempo. Ela é a causa mais frequente de demência, mas Alzheimer e demência não são exatamente a mesma coisa. A demência descreve um grau de perda cognitiva que interfere na independência; Alzheimer é uma das doenças que podem causar esse quadro.
O que acontece no cérebro
Quando a gente olha para a doença de Alzheimer do ponto de vista biológico, duas proteínas aparecem com bastante importância, a beta-amiloide e a tau. Essas proteínas existem no organismo, mas na doença passam a apresentar alterações e a se acumular de forma anormal.
A beta-amiloide forma depósitos principalmente fora dos neurônios. A proteína tau se altera dentro das células nervosas e forma emaranhados. Ao mesmo tempo, acontecem mudanças nas sinapses, na resposta inflamatória e no funcionamento das redes cerebrais. Com a progressão da doença, ocorre perda de neurônios e atrofia de determinadas regiões.
Hoje a gente entende o Alzheimer como um processo complexo. Não é correto pensar que uma única proteína, sozinha, explica toda a doença. O amiloide participa muito cedo da fisiopatologia, enquanto a tau e outros mecanismos acompanham a progressão da disfunção e da neurodegeneração.
Por que a memória costuma ser afetada no começo
Na forma clássica da doença, redes do lobo temporal medial, incluindo o hipocampo, estão entre as mais vulneráveis no início. Essas regiões participam da formação de novas memórias. Por isso, a pessoa pode lembrar muito bem de acontecimentos antigos e, ao mesmo tempo, ter dificuldade para guardar o que aconteceu recentemente.
Ela pode esquecer uma conversa, repetir uma pergunta, contar novamente uma história ou não lembrar de um compromisso combinado no dia anterior. O problema não é simplesmente ter um lapso ocasional. O padrão mais típico é uma dificuldade recorrente e progressiva para formar e reter novas memórias.
Esse tema é detalhado na página sobre os sinais iniciais da doença de Alzheimer.
Alzheimer nem sempre começa pela memória
A apresentação com perda de memória recente é a mais conhecida, mas existem formas menos comuns em que os primeiros sintomas aparecem em outras funções cognitivas. Algumas pessoas começam com dificuldade de linguagem, alterações visuoespaciais, problemas para executar movimentos complexos ou mudanças de comportamento e funcionamento social.
Essas apresentações costumam exigir uma avaliação mais especializada porque podem se parecer com outras doenças neurológicas.
A doença se desenvolve ao longo de muitos anos
Alzheimer não começa no dia em que aparece o primeiro esquecimento. As alterações biológicas podem estar presentes muitos anos antes de o quadro ficar evidente clinicamente.
Quando os sintomas começam, eles também não aparecem de uma vez. Em geral existe uma fase inicial em que a pessoa continua independente, depois as dificuldades podem passar a interferir de maneira crescente nas atividades do dia a dia e, nas fases mais avançadas, a dependência se torna maior.
Esse caráter progressivo ajuda a diferenciar a doença de muitas outras causas de queixa cognitiva que podem permanecer estáveis ou melhorar.
Alzheimer e demência
Uma pessoa pode ter alterações biológicas da doença de Alzheimer e ainda não ter demência. Também pode ter comprometimento cognitivo leve devido ao Alzheimer, com uma dificuldade real nos testes, mas preservação importante da independência.
Usamos o termo demência quando a perda cognitiva passa a interferir de maneira significativa na autonomia. Por isso, quando alguém pergunta se Alzheimer é sinônimo de demência, a resposta é não. Alzheimer é a doença; demência descreve uma fase clínica de comprometimento funcional.
Como o diagnóstico é feito
O diagnóstico começa pela história clínica. A gente precisa entender o que mudou, há quanto tempo, se existe progressão e como a pessoa está funcionando no dia a dia. Depois avaliamos diferentes funções cognitivas, fazemos exame neurológico e procuramos outras causas que possam explicar ou contribuir para o quadro.
Exames laboratoriais e neuroimagem fazem parte da investigação em muitos casos. Hoje também existem biomarcadores capazes de demonstrar a patologia de Alzheimer no líquor, no PET amiloide e, em situações específicas, por exames sanguíneos validados. A página sobre diagnóstico da doença de Alzheimer explica esse processo com mais detalhes.
Existe tratamento
Existem medicamentos que ajudam nos sintomas e no funcionamento cognitivo, além do tratamento de fatores que podem piorar a cognição, como sono, humor, sedentarismo, perda auditiva e doenças vasculares.
Mais recentemente surgiram os anticorpos anti-amiloide, uma nova classe de terapias que atua sobre a biologia da doença e pode reduzir de forma modesta a velocidade de progressão em pacientes selecionados com Alzheimer inicial. Eles não curam a doença e não são indicados para todas as pessoas.
Como o tratamento depende muito da fase e do perfil do paciente, o plano precisa ser individualizado.
Perguntas frequentes
Alzheimer é uma consequência normal do envelhecimento?
Não. A idade aumenta o risco, mas Alzheimer é uma doença e não uma consequência inevitável de envelhecer.
Todo Alzheimer começa com esquecimento?
Não. A forma clássica costuma começar pela memória recente, mas existem apresentações menos comuns com linguagem, visão espacial, planejamento ou comportamento.
Existe cura para Alzheimer?
Ainda não. Existem tratamentos para sintomas e terapias capazes de reduzir a progressão em grupos selecionados, mas nenhuma delas elimina a doença.
Referências
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